quarta-feira, 19 de maio de 2010

Khecharimudra

Khecharí: técnica.


III:32.
Khecharí: com a língua recolhida para cima e para trás, obstrui-se o orifício de conexão do palato com as fossas nasais e se fixa o olhar no ponto entre as sobrancelhas.

III:33.
A língua deve alongar-se gradualmente, cortando (o freio), agitando-a e esticando-a até que se possa tocar o intercílio. Então se consegue realizar propriamente o khecharí mudrá.

III:34.
Com uma faca limpa e muito afiada, em forma de folha de cacto, se faz um corte da espessura de um cabelo na base do freio da língua.

III:35.
Depois, se esfrega a região com uma mistura de sal de rocha e cúrcuma. Depois de sete dias, é preciso cortar novamente a espessura de um cabelo.

III:36.
É preciso continuar fazendo o mesmo durante seis meses, com cuidado e de forma gradual. Então, o freio da língua ficará completamente cortado.

III:37.
Quando o yogi dobra a língua para cima e atrás, pode fechar o ponto em que se cruzam as três nádís, denominado vyoma chakra; este é o khecharí mudrá.

Khecharí: efeitos.
III:38.
O yogi que permanece apenas por meio kshana (período de vinte e quatro minutos) com a língua para cima, liberta-se de envenenamentos, doenças, velhice e morte.

III:39.
Quem dominar o khecharí mudrá não se verá afetado pela doença, a morte, a decadência mental, o sono, a fome, a sede o a falta de lucidez intelectual.

III:40.
Quem dominar o khecharí mudrá ficará livre das (leis do) karma e do tempo.

III:42.
Uma vez obstruído o orifício da parte superior traseira do palato por meio do khecharí mudrá, o yogi pode controlar a ejaculação, até mesmo no abraço mais passional com uma mulher.

III:43.
E até mesmo que aconteça a ejaculação, o bindu será forçado para cima, por meio de yonimudrá.

GS

Cortar o tendão inferior da língua e mantê-la continuamente em movimento. Massagea-la com manteiga fresca. Puxá-la com um instrumento de aço (para alongá-la).

3:26. Com a prática contínua consegue-se alongar a língua. Obtêm-se khecharimudra quando a ponta da língua pode tocar o intercílio.

3:27. Em seguida, quando se tiver alargado suficientemente a língua: levar a língua para cima e para trás para tocar o palato. Com a prática, alcança-se as cavidades nasais que comunicam com o interior da boca. Fechar estes orifícios com a língua (retendo a respiração). Fixar o olhar no intercílio.

3:28. Com esta prática desaparecem debilidade, fome, sede e preguiça. Não surgem enfermidades, decadência ou morte. O corpo torna-se divino.

3:29. O corpo não pode ser queimado pelo fogo, secado pelo ar ou molhado pela água. O corpo não pode ser mordido pelas serpentes.

3:30. O corpo torna-se belo. O samádhi alcança-se facilmente. Ao tocar os orifícios nasais internos com a língua, experimentam-se diversos sabores.

3:31-32. Experimentam-se novas sensações à medida que flui abundantemente néctar. Apreciam-se sucessivamente os seguintes sabores: salgados, alcalinos, amargos, adstringentes, manteiga, ghee, leite, coalhada, soro, mel e sumo de palmeira. Finalmente, manifesta-se o sabor do néctar.
SS

31.1.O sábio Yogi, sentado na postura Vajrasana, em um local livre de toda perturbação, deveria firmemente fixar seu olhar sobre o ponto no meio das 2 sobrancelhas; e voltando a língua para trás, fixe-a no buraco abaixo da epiglote, colocando-a com grande cuidado na boca do poço de néctar (fechando a passagem de ar superior). Essa Mudra, descrita por mim a pedido de meus devotos, é a Khecharimudra.

32.2.Oh, meu amado ! Saiba que isso é a origem de todo sucesso, sempre praticando, permita que ele beba a ambrosia diariamente. Através disso, ele obtém Vigraha-Siddhi (poder sobre o Microcosmo), igualmente como o leão sobre o elefante da morte.

33.3.Se puro ou impuro, em qualquer que seja a condição que uma pessoa possa estar, se o êxito for obtido em Khechari, ela torna-se pura. Não há dúvidas sobre isso.

34.4.Aquele que pratica isso, mesmo por um momento, atravessa o grande oceano dos pecados, e tendo desfrutado dos prazeres do mundo Deva, nasce em uma família nobre.

35.5.Aquele que pratica essa Khecharimudra, calmamente e sem ociosidade, conta como se fossem segundos o período de centenas de Brahmas.

36.6.Aquele que conhece essa Khecharimudra, de acordo com as instruções do Guru, obtém o mais elevado fim, ainda que submergido em grandes pecados.

37.7. Oh, adorador dos deuses ! Essa Mudra, estimada como a vida, não deveria ser dada a todo mundo; deve permanecer oculta com grande cuidado.

Somarása: o néctar celestial.
III:44.
Quem domine os secretos do Yoga pode vencer a morte em quinze dias, mantendo a língua dobrada para trás, com a mente concentrada e bebendo o néctar vital (somarása).

III:45.
O yogi que inunda seu corpo diariamente com o néctar que flui da “lua” (somarása) é imune ao veneno, mesmo que seja mordido pela serpente takshaka.

III:46.
Da mesma forma que o fogo arde enquanto houver combustível e a lâmpada ilumina enquanto tiver óleo e pavio, a alma permanece no corpo enquanto houver néctar brotando do terceiro olho (soma chakra).

III:47.
Quem comer carne de vaca (gomansa) e beber aguardente (amaravarunni) diariamente, será considerado como uma pessoa distinguida; em outro caso, desprestigiará sua família.

III:48.
A palavra go alude à língua; “come-la” (gomansabhaksna) é introduzir a língua na cavidade do palato. Isto destrói as ações errôneas (pápa).

III:49.
Quando a língua se volta para trás e penetra na garganta, o corpo se aquece muito e flui o somarása. Isto se chama amaravarunni.

III:50.
Se o yogi pressionar a língua contra o orifício do palato, fazendo fluir o somarása, que tem sabor salgado, ácido e picante, mas que também parece leite, mel e ghee, elimina todas as doenças e a velhice, se torna invulnerável aos ataques armados, alcança a imortalidade e os oito siddhis e se torna irresistível para as mulheres siddhas.

III:51.
Aquele que, com o olhar dirigido para cima e a língua fechando o orifício do palato, medita sobre Parashaktí e bebe da clara fonte do néctar, desde a cabeça até o loto de dezesseis pétalas (vishuddha chakra), por meio do controle do prána, se libera de toda enfermidade e vive muito tempo com um belo corpo, elegante como um talo de loto.

III:52.
Aquele que possui uma mente pura (da natureza de sattva, não ofuscada ela ação de rájas e tamas) reconhece a verdade (da sua própria alma) no néctar segregado desde a cavidade de onde surgem as nádís, na parte superior do monte Meru (o interior da cabeça, acima do intercílio); da “lua” surge o néctar, a essência corporal e, da sua perda, a destruição física. Por conseguinte, se deve praticar o benéfico khecharí mudrá (para deter a perda); do contrário não se conseguirá obter a perfeição física (caracterizada por beleza, graça, força e autocontrole).

III:53.
Tal cavidade, na abertura superior de sushumná, é o lugar de confluência dos cinco rios (as cinco principais nádís) e proporciona o conhecimento divino; no vazio da abertura, livre da influência da ignorância (avidyá), da dor e das ilusões (o yogi, através do) khecharí mudrá, alcança a perfeição.

Conclusão.
III:54.
Existe somente um gérmen de evolução: o mantra Om; existe somente um mudrá: khecharí; somente um dever: chegar a ser independente de tudo, e somente um estado mental: o manomani avasthá (estabilidade da mente).